A comunicação científica responsável é um dos pilares centrais da credibilidade e da relevância da pesquisa acadêmica. Mais do que relatar resultados, publicar um artigo científico implica assumir compromissos éticos, metodológicos e editoriais que sustentam a confiança da comunidade científica e da sociedade nos conhecimentos produzidos.
Nesse contexto, apresentamos um guia fundamental de boas práticas para autores científicos, baseado no documento "Responsible research publication: international standards for authors", elaborado como resultado da 2ª World Conference on Research Integrity (Singapura, 2010), para orientar autores na condução e na apresentação responsável de suas pesquisas.
Ao estabelecer princípios claros sobre integridade, transparência, autoria, originalidade e responsabilidade pós-publicação, o gui oferece um referencial prático não apenas para pesquisadores, mas também para editores e equipes editoriais que atuam na mediação e qualificação da comunicação científica.
1. Pesquisa sólida e confiável
Os autores devem assegurar que a pesquisa relatada foi conduzida de forma ética, responsável e em conformidade com as legislações vigentes. Isso inclui métodos adequados, análise correta dos dados e revisão cuidadosa de todas as etapas do manuscrito antes da submissão. Para os periódicos, esse princípio reforça a importância de políticas claras de ética em pesquisa e da exigência de informações sobre aprovação ética quando aplicável.
2. Honestidade na apresentação dos resultados
Práticas como fabricação, falsificação ou manipulação inadequada de dados são severamente repudiadas. Os resultados devem ser apresentados de forma clara, completa e sem omissões seletivas, inclusive quando não corroboram a hipótese inicial. Para editores, isso dialoga diretamente com a necessidade de diretrizes sobre integridade científica, uso ético de dados e correções pós-publicação.
3. Equilíbrio e contextualização científica
Novos achados devem ser apresentados à luz da literatura existente, com reconhecimento justo do trabalho de outros pesquisadores e explicitação das limitações do estudo. Revisões narrativas ou sistemáticas, em especial, devem ser completas e balanceadas, evitando vieses interpretativos. Esse ponto reforça o papel do processo de avaliação por pares na mediação da qualidade do conteúdo publicado.
4. Originalidade e prevenção de más práticas
O manuscrito submetido a uma revista científica deve ser original, não publicado anteriormente e não estar em avaliação simultânea em outro periódico. Os autores não devem reutilizar textos, dados ou resultados de trabalhos anteriores como se fossem inéditos, nem fragmentar um mesmo estudo em múltiplas publicações sem justificativa científica. Quando há reaproveitamento de dados, análises secundárias ou traduções de artigos já publicados, essas situações devem ser explicitamente informadas ao periódico, com a devida referência à publicação original, garantindo clareza e transparência para editores, avaliadores e leitores. Para editores, esses são fundamentos devem ser centrais nas políticas de submissão e do uso criterioso de ferramentas de detecção de similaridade.
5. Transparência sobre financiamento e conflitos de interesse
Todas as fontes de financiamento e potenciais conflitos — financeiros ou não — devem ser explicitamente declarados, assim como o papel do financiador no desenho e execução da pesquisa. A adoção de formulários padronizados de Conflito de Interesses e a publicação dessas informações contribuem para a credibilidade do periódico perante leitores e indexadores.
6. Autoria responsável e reconhecimento adequado
A autoria deve refletir fielmente as contribuições intelectuais ao trabalho, evitando práticas como guest, gift ou ghost authorship. Os critérios de autoria devem ser definidos desde o início do projeto e todos os autores devem aprovar a versão final do manuscrito. Para periódicos científicos, esse ponto reforça a necessidade de políticas explícitas de autoria e contribuições (como a Taxonomia CRediT).
7. Responsabilização e pós-publicação
Os autores compartilham a responsabilidade pela integridade do artigo mesmo após a publicação, devendo cooperar com correções, retratações e esclarecimentos quando necessário. Também se espera abertura para responder a comentários pós-publicação. Esse princípio se alinha às boas práticas editoriais de manutenção do registro científico.
8. Respeito ao processo editorial e à revisão por pares
Responder de forma profissional e adequada aos pareceres, respeitar embargos de divulgação e seguir as convenções editoriais são atitudes essenciais. Para os editores, esse ponto respalda a adoção de fluxos editoriais bem definidos e transparentes no OJS ou em outras plataformas de publicação.
9. Pesquisa envolvendo seres humanos e animais
Estudos com humanos ou animais devem apresentar aprovação de comitês de ética, consentimento informado e responsabilidade na divulgação de dados sensíveis. Esses requisitos dialogam diretamente com critérios de indexação e boas práticas internacionais de publicação científica.
Considerações finais
Mais do que um guia para autores, esses padrões internacionais funcionam como uma base sólida para políticas editoriais, instruções aos autores e ações formativas promovidas por periódicos científicos. Ao incorporá-los de forma explícita em suas diretrizes, os editores fortalecem a integridade, a transparência e a confiabilidade da comunicação científica de seus periódicos.
Fonte: COPE
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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