Embora as manchetes de jornais costumem focar em escândalos científicos chocantes, como pesquisas envolvendo prisioneiros executados ou médicos com dezenas de artigos retirados, esses casos representam apenas uma fração do que ocorre nos bastidores das publicações acadêmicas. Um editorial de 2023 publicado na Principles and Practice of Clinical Research Journal (PPCRJ) explora a "vida secreta" das retratações, revelando que, embora ainda sejam estatisticamente raras (cerca de 0,02% a 0,04% dos artigos médicos), o número de retratações tem crescido de forma mais acelerada do que a taxa de publicação de novos trabalhos nos últimos 20 anos.

O plágio como grande vilão

O editorial, que analisou dados da Retraction Watch Database entre 2018 e 2023, aponta o plágio como a causa mais comum de retratação. Esse fenômeno é alimentado, em grande parte, pelo sistema "publish or perish" (publicar ou perecer), que recompensa pesquisadores pela quantidade de publicações em detrimento da qualidade ou integridade.

Existem diversas formas de plágio que assombram as revistas médicas:

  • Plágio direto: Cópia fiel de textos.
  • Mosaico: Mistura de ideias originais com alheias sem a devida citação.
  • Paráfrase sem crédito: Reescrita de ideias sem mencionar a fonte.

Curiosamente, o uso de softwares de detecção não resolveu o problema por completo, pois autores podem usar essas mesmas ferramentas para contornar a detecção, e nem toda similaridade é, de fato, má conduta.

Principais países e especialidades com retratações

Entre os países, a China lidera o ranking com 45,07% das retratações analisadas, seguida pelo Paquistão (6,34%) e Índia (5,63%). O governo chinês tem tentado implementar políticas rigorosas, incluindo punições sociais e restrições de crédito, para combater a má conduta científica, mas com sucesso limitado até o momento.

Dentre as especialidades médicas, a Oncologia (9,86%), a Cardiologia (9,15%) e a Oftalmologia (8,45%) são as áreas médicas com maior volume de artigos retirados por plágio.

O perigo do atraso: artigos "fantasmas" em circulação

Um dos pontos mais críticos destacados pelo editorial é o tempo que se leva para retratar um artigo. Enquanto a mediana para casos de plágio é de 9,5 meses, procedimentos de investigação podem levar anos. Durante esse intervalo, o artigo questionável continua sendo citado e, pior, pode ser incluído em revisões sistemáticas e metanálises que fundamentam diretrizes clínicas e decisões de saúde pública.

Estima-se que leve cerca de três anos para que uma retratação seja devidamente indexada no PubMed, evidenciando uma lacuna perigosa na comunicação científica.

Lições de casos reais

O editorial cita exemplos na literatura sobre Acidente Vascular Cerebral (AVC) para ilustrar diferentes falhas:

  1. Erros de dados: O caso de Kufner et al. mostrou como um erro na rotulagem do conjunto de dados comprometeu a conclusão sobre o tratamento de pacientes fumantes.
  2. Integridade de imagens: O artigo de Ottani et al. foi retratado por preocupações com a duplicação de figuras de Western blot.
  3. Uso não autorizado: Um estudo foi retirado da Child’s Nervous System (Shweikeh et al.)por utilizar dados sem permissão ou licença adequada.

A conclusão do editorial revela que a comunidade acadêmica precisa de estratégias mais eficazes para a detecção precoce de má conduta e processos de retratação mais ágeis e transparentes.


Fonte: PPCRJ
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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Editorial de revista americana revela avanço das retratações na literatura médica mundial

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