Na última matéria da série sobre o relatório da ANPAD, publicado em 27 de março, são apresentados os tópicos finais do estudo sobre o uso de inteligência artificial na pesquisa acadêmica, com destaque para os princípios éticos, a síntese dos principais achados, as recomendações e as limitações identificadas pelos pesquisadores.

Princípios éticos

O relatório demonstra um forte consenso da comunidade acadêmica em torno da importância de princípios éticos para orientar o uso da inteligência artificial. Entre os mais citados estão ética e valores, reprodutibilidade, responsabilidade e proteção de dados, indicando uma preocupação consistente com a integridade científica e a transparência no uso dessas ferramentas.

Além desses eixos centrais, emergem discussões mais complexas, como a necessidade de supervisão humana contínua, o risco de vieses algorítmicos e preocupações com a concentração tecnológica em países centrais, apontando para debates sobre colonialidade digital. Também há questionamentos sobre crédito intelectual e o papel da IA em relação ao mérito individual na produção científica.

Síntese dos principais achados

A consolidação dos resultados evidencia um cenário marcado por contrastes. De um lado, há alta adoção das ferramentas de IA, com uso disseminado entre pesquisadores. De outro, observa-se baixa sofisticação técnica, com a maioria atuando apenas como usuária de soluções prontas.

Outro destaque é a forte concentração no uso de ferramentas generalistas, como o ChatGPT, em detrimento de soluções especializadas. O estudo também identifica um gradiente de aceitação ética: atividades exploratórias, como geração de ideias, são amplamente aceitas, enquanto etapas que envolvem maior responsabilidade intelectual, como revisão de artigos, enfrentam maior resistência.

Diferenças entre perfis também se destacam, especialmente entre docentes e estudantes, além da influência do uso de ferramentas pagas na maior aceitação da IA. As barreiras ao uso, por sua vez, são predominantemente éticas e culturais, e não tecnológicas ou financeiras.

Recomendações

Com base nos achados, o relatório propõe ações direcionadas a diferentes atores do ecossistema acadêmico. Para instituições e programas de pós-graduação, destaca-se a necessidade de investir em capacitação, especialmente no uso de ferramentas especializadas, além da definição de diretrizes éticas claras para o uso da IA em cada fase da pesquisa.

Para a própria ANPAD, o estudo sugere a atualização de políticas editoriais, com exigência de transparência no uso de IA, e a ampliação de iniciativas de formação continuada. Já para os pesquisadores, as recomendações incluem diversificar o uso de ferramentas, adotar práticas de transparência metodológica e manter a supervisão humana como elemento central no processo científico.

Limitações do estudo

O relatório também reconhece limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A amostra, embora relevante, apresenta concentração regional, o que pode restringir a generalização dos achados para toda a comunidade acadêmica brasileira.

Além disso, o longo período de coleta de dados, entre 2024 e 2025, coincide com um momento de rápida evolução das tecnologias de IA, o que pode ter influenciado as percepções dos participantes ao longo do tempo. Também foram identificadas inconsistências em algumas variáveis, como idade e identificação institucional, que limitaram análises mais detalhadas.

O conjunto dessas análises reforça que o avanço da inteligência artificial na pesquisa acadêmica não é apenas uma questão de adoção tecnológica, mas de governança, capacitação e construção coletiva de normas. O desafio agora não é mais incorporar a IA, mas definir como utilizá-la de forma crítica, ética e alinhada aos princípios da ciência.


Fonte: ANPAD
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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