A rápida adoção da inteligência artificial na pesquisa científica exige uma nova infraestrutura coletiva para definir como esses sistemas devem participar do ecossistema acadêmico. Essa é a principal mensagem do artigo "The Third Time is NOT the Charm: Who Will Own How AI Participates in Scholarship?", publicado em 30 de julho de 2026 no The Scholarly Kitchen, por Wendy Queen, da Johns Hopkins University Press, e Jonathan Woahn, cofundador da plataforma Cashmere.
Os autores argumentam que a comunicação científica já passou por duas grandes transformações, a digitalização da literatura e a consolidação das plataformas de descoberta. Em ambos os casos, a comunidade acadêmica desenvolveu boa parte da infraestrutura, mas o controle das camadas de maior valor acabou concentrado em empresas externas. Segundo eles, a ascensão da inteligência artificial representa uma terceira transformação e a comunidade científica ainda tem a oportunidade de definir como ela ocorrerá.
O artigo afirma que o desafio não se limita a permitir que modelos de IA acessem artigos científicos. É necessário estabelecer uma infraestrutura capaz de regular como esses sistemas interagem com o registro científico, contemplando autenticação de usuários e agentes de IA, controle de acesso, respeito às licenças de uso, atribuição correta das fontes, preservação da versão oficial dos artigos e rastreabilidade das informações utilizadas para gerar respostas.
Os autores também destacam que indicadores de confiança e mecanismos de procedência, embora importantes para identificar a origem e a integridade dos conteúdos científicos, representam apenas parte da solução. Sem uma infraestrutura compartilhada que coordene essas informações, cada plataforma de IA tenderá a criar suas próprias regras para consumir, interpretar e distribuir conhecimento científico. O resultado poderá ser um ecossistema fragmentado, com baixa interoperabilidade e crescente dependência de plataformas proprietárias.
Como alternativa, o artigo propõe o desenvolvimento de uma camada aberta e colaborativa de infraestrutura, construída por editoras, bibliotecas, sociedades científicas, organizações de padronização e empresas de tecnologia. Para os autores, essa cooperação é fundamental para que a comunidade científica mantenha o controle sobre a forma como a inteligência artificial participa da comunicação científica, evitando repetir erros das transformações anteriores e preservando os princípios de transparência, interoperabilidade e confiança que sustentam a pesquisa.
Fonte: The Scholarly Kitchen
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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