A folha do PRISMA-P distribuída pela iniciativa PRISMA e pela EQUATOR Network é uma tabela de
três colunas — seção e tópico, número do item, item da lista de checagem — seguida de uma nota de
rodapé que pede a citação da declaração. A tabela inteira está reproduzida e traduzida na
ferramenta acima; o que segue é o que costuma passar despercebido em volta dela.
17 itens, 26 linhas
O PRISMA-P é citado como “17 itens”, e é assim que ele aparece nas instruções dos periódicos e
do PROSPERO. Só que cinco itens se desdobram: o 1 tem dois subitens, o 3 tem dois, o 5 tem três,
o 11 tem três e o 15 tem quatro. Somadas, são 26 linhas a conferir uma a uma — e é o
número de linhas, não o de itens, que mede o trabalho de quem preenche. O painel de andamento
desta ferramenta conta linhas.
A coluna de localização pede linhas
A folha oficial do PRISMA-P traz, ao lado de cada item, o espaço para a localização do
trecho — e, na versão distribuída pelo sítio do PRISMA, ela pede o número das linhas do
manuscrito. Protocolo depositado em repositório ou inscrito no PROSPERO nem sempre tem linha
numerada, e por isso o campo desta ferramenta é livre: aceita linha, página, seção ou o nome do
campo do formulário de registro. O que importa é que o avaliador encontre o trecho sem procurar.
A seção que só os protocolos têm
Das três seções do PRISMA-P, a primeira — informações administrativas — é a que não
existe em nenhum checklist de relato final: título que se identifique como protocolo, registro,
contato de todos os autores, contribuições e garantidor, plano de emendas, financiamento e papel
do patrocinador. É a seção que transforma um plano de revisão em um documento datado, assinado e
auditável — e é exatamente o que o PROSPERO pergunta no formulário de inscrição, campo a campo.
Um antes e um depois
O PRISMA-P orienta o protocolo, escrito antes de a revisão começar; o
PRISMA 2020 orienta o relato final, escrito depois. Os itens
conversam: as fontes de informação planejadas (item 9 daqui) viram as fontes efetivamente
pesquisadas (item 6 de lá), o rascunho da estratégia de busca (10) vira a estratégia completa de
todas as bases (7), e a priorização de desfechos declarada no item 13 é o que permite, na
revisão pronta, mostrar que nenhum desfecho foi trocado no meio do caminho. Preencher este
checklist com cuidado é adiantar metade do outro.
Nota de tradução. Ao contrário do PRISMA 2020, que tem tradução brasileira publicada e
reconhecida pela EQUATOR Network, o PRISMA-P 2015 não tem tradução oficial para o português
do Brasil. O texto em português dos 17 itens é tradução da própria ferramenta, feita a
partir dos dois artigos publicados em acesso aberto — a declaração na Systematic Reviews
e o documento de elaboração e explicação no BMJ. O texto original em inglês está a um
clique de distância, na opção Texto original em inglês, e prevalece em caso de
divergência; em submissão internacional e no PROSPERO, que só aceita inscrição em inglês, use
o original.
Fontes. A declaração PRISMA-P e o documento de elaboração e explicação foram publicados
em acesso aberto sob licença Creative Commons Atribuição, que permite reproduzir, traduzir e
adaptar, inclusive para fins comerciais, desde que a obra original seja citada. É o que
autoriza a reprodução e a tradução nesta página.
Moher D, Shamseer L, Clarke M, Ghersi D, Liberati A, Petticrew M, et al.
Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015
statement. Syst Rev. 2015;4(1):1.
doi:10.1186/2046-4053-4-1
Shamseer L, Moher D, Clarke M, Ghersi D, Liberati A, Petticrew M, et al.
Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015:
elaboration and explanation. BMJ. 2015;350:g7647.
doi:10.1136/bmj.g7647