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Checklist PRISMA 2020

Os 27 itens que uma revisão sistemática precisa relatar, desdobrados nas 42 linhas da folha oficial, na tradução brasileira reconhecida pela EQUATOR Network. Ligue a lista de checagem para resumos quando o periódico pedir as duas, anote onde cada item aparece e baixe o checklist em PDF.

Dúvidas Fluxograma PRISMA ↗

A revisão

aparece no cabeçalho do checklist

PROSPERO, OSF, INPLASY. Deixe em branco se a revisão não foi registrada — o item 24a pede que isso seja declarado no texto.

Escopo da revisão

define o que pode ser não aplicável

O PRISMA 2020 não muda a redação dos itens conforme a revisão — todos os 27 valem para qualquer revisão sistemática. O que muda é o que pode legitimamente não se aplicar: heterogeneidade, análise de sensibilidade e viés por resultados faltantes pressupõem síntese estatística. A escolha marca essas linhas e alimenta as verificações; nada é escondido da lista.

Os itens

marque Relatado quando o item já estiver no texto

A folha oficial, traduzida

tradução reconhecida pela EQUATOR Network

A folha do PRISMA 2020 distribuída pela iniciativa e pela EQUATOR Network é uma tabela de quatro colunas — seção e tópico, item, item da lista de checagem, localização do item relatado — seguida de uma segunda tabela, a lista de checagem para resumos, e de uma nota de rodapé. As duas tabelas já estão traduzidas na ferramenta acima; o que segue é a tradução do que vem em volta delas, e que costuma passar despercebido.

A quarta coluna não é “página”

Ao contrário do que fazem outras diretrizes, o PRISMA 2020 chama a coluna de “localização do item relatado”. A diferença é prática: o item 27, sobre disponibilidade de dados e código, costuma estar em uma declaração ao fim do artigo; o 16a está em uma figura; o 13d pode ocupar meia página de métodos. A coluna aceita página, seção, número de linha, figura ou tabela — o que permitir ao editor encontrar o trecho. É por isso que o campo desta ferramenta é livre, e não apenas numérico.

Os 27 itens e as 42 linhas

O PRISMA 2020 tem 27 itens, e é assim que ele é citado. Só que sete deles se desdobram: o item 10 tem dois subitens, o 13 tem seis, o 16 tem dois, o 20 tem quatro, o 23 tem quatro e o 24 tem três. Somadas, são 42 linhas a conferir uma a uma — e é o número de linhas, não o de itens, que mede o trabalho de quem preenche. O painel de andamento desta ferramenta conta linhas.

O glossário do Quadro 1

A declaração define oito termos que usa com sentido preciso, e a confusão entre eles responde por boa parte dos itens mal relatados:

  • Revisão sistemática — uma revisão que usa métodos explícitos e sistemáticos para agrupar e sintetizar os resultados dos estudos que abordam uma questão claramente formulada.
  • Sumarização estatística — a combinação de resultados quantitativos de dois ou mais estudos. Engloba a meta-análise de estimativas de efeito e outros métodos, como a combinação de p-valores, o cálculo do intervalo e da distribuição dos efeitos observados e a contagem de votos com base na direção do efeito.
  • Meta-análise de estimativas de efeito — técnica estatística usada para sintetizar resultados quando as estimativas de efeito do estudo e suas variâncias estão disponíveis, produzindo um resumo quantitativo dos resultados.
  • Desfecho — um evento ou medida coletada para os participantes de um estudo (como qualidade de vida, mortalidade).
  • Resultado — a combinação de uma estimativa pontual (como uma diferença de médias, razão de risco ou proporção) e a medida de sua precisão (como um intervalo de confiança/credibilidade) para um desfecho determinado.
  • Publicação (report) — um documento, impresso ou eletrônico, que fornece informações sobre um estudo específico: artigo científico, preprint, resumo de conferência, dados de registro de estudo, relatório de estudo clínico, dissertação, manuscrito não publicado, relatório governamental ou qualquer outro documento com informação relevante.
  • Registro (record) — o título ou o resumo, ou ambos, de um artigo indexado em um banco de dados ou site. Registros que se referem à mesma publicação são duplicações; registros que se referem a publicações meramente parecidas devem ser considerados registros únicos.
  • Estudo — uma pesquisa, como um ensaio clínico, que inclui um grupo definido de participantes e uma ou mais intervenções e desfechos. Um estudo pode ter várias publicações.

É essa distinção entre registro, publicação e estudo que dá sentido ao fluxograma e ao item 16a: contam-se registros na identificação e na triagem, publicações na recuperação e na elegibilidade, e estudos na inclusão. Confundi-los é o erro mais comum do diagrama — e o gerador de fluxograma PRISMA 2020 confere essas somas.

O que mudou em relação ao PRISMA 2009 (Quadro 2)

A declaração de 2009 não deve mais ser usada. As mudanças mais notáveis: inclusão da lista de checagem para resumos; movimentação de protocolo e registro para uma seção própria ao fim, com um subitem novo sobre alterações (24a a 24c); exigência da estratégia de busca completa para todas as fontes, e não só de uma base (item 7); esclarecimento sobre quantos revisores triaram cada registro e se trabalharam de forma independente (item 8); subitem novo sobre como os desfechos foram definidos e quais resultados foram coletados (10a); divisão do item de síntese em seis subitens nos métodos (13a a 13f) e em quatro nos resultados (20a a 20d); subitem novo sobre estudos que pareciam elegíveis mas foram excluídos (16b); itens novos sobre a certeza da evidência (15 e 22), conflito de interesses (26) e disponibilidade de dados, código e materiais (27).

A nota da lista para resumos

“Esta lista de checagem de resumos mantém os mesmos itens incluídos na declaração PRISMA para resumos publicada em 2013, mas foi revisada para tornar o texto consistente com a declaração PRISMA 2020 e inclui um novo item recomendando aos autores especificar os métodos usados para apresentar e sintetizar os resultados (item 6).”

Nota de tradução. O texto dos 27 itens e dos 12 itens da lista para resumos foi transcrito da tradução brasileira publicada em Epidemiologia e Serviços de Saúde — a versão em português do Brasil distribuída pela EQUATOR Network e pelo sítio do PRISMA. Ela foi traduzida por Taís Freire Galvão e Gustavo Magno Baldin Tiguman, com retrotradução de Rafael Sarkis-Onofre. O texto em inglês está a um clique de distância, na opção Texto original em inglês, e prevalece em caso de divergência.

Uma emenda declarada. Na tabela impressa daquela tradução, a redação do item 13a fica interrompida no fim de uma linha: “…comparação com os grupos”. Aqui ela foi completada a partir do original em inglês — “…comparação com os grupos planejados para cada síntese (item 5)” — para que a frase faça sentido. É a única intervenção nossa no texto dos itens.

Fontes. A declaração e a tradução brasileira foram publicadas em acesso aberto sob licença Creative Commons Atribuição, que permite reproduzir, traduzir e adaptar, inclusive para fins comerciais, desde que a obra original seja citada. É o que autoriza a reprodução nesta página.

Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I, Hoffmann TC, Mulrow CD, et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ. 2021;372:n71. doi:10.1136/bmj.n71

Page MJ, McKenzie JE, Bossuyt PM, Boutron I, Hoffmann TC, Mulrow CD, et al. A declaração PRISMA 2020: diretriz atualizada para relatar revisões sistemáticas. Traduzido por Galvão TF, Tiguman GMB. Epidemiol Serv Saúde. 2022;31(2):e2022107. doi:10.1590/S1679-49742022000200033

Beller EM, Glasziou PP, Altman DG, Hopewell S, Bastian H, Chalmers I, et al. PRISMA for Abstracts: reporting systematic reviews in journal and conference abstracts. PLoS Med. 2013;10(4):e1001419. doi:10.1371/journal.pmed.1001419

Sobre esta ferramenta

e o que costuma gerar dúvida

O PRISMA 2020 é citado como “27 itens”, e é assim que ele aparece nas instruções aos autores. Quem baixa a folha, porém, encontra 42 linhas: sete itens se desdobram em subitens, e o 13 sozinho tem seis. Some a isso a segunda tabela, a lista de checagem para resumos, que o item 2 apenas menciona sem reproduzir — e o autor descobre tarde que precisava de mais 12 linhas. Esta ferramenta mostra as 42 linhas numeradas como na folha oficial, encaixa a lista para resumos como uma camada e conta o andamento em linhas, não em itens.

A segunda coisa que ela resolve é a leitura cruzada. Um checklist bem preenchido não é o que tem todas as caixas marcadas: é o que fecha entre método e resultado. Se o item 15 declara o método de avaliação da certeza da evidência, o 22 precisa trazer as avaliações; se o 13e descreve como a heterogeneidade seria explorada, o 20c precisa apresentar o que a exploração encontrou. O painel da direita faz essas conferências enquanto você preenche e avisa o que não fecha. No fim, o checklist sai em PDF, montado no próprio navegador, pronto para anexar à submissão — com o cabeçalho da revisão, a situação e a localização de cada item. O texto que acompanha a folha oficial está traduzido logo acima, em A folha oficial, traduzida.

Perguntas frequentes

Como usar esta ferramenta

Comece dizendo se a revisão fez meta-análise: os itens que só existem quando há síntese estatística passam a admitir não se aplica sem levantar suspeita. Se o periódico também cobra o resumo estruturado, ligue a lista de checagem para resumos, que entra com 12 itens logo abaixo do item 2. Depois percorra as 42 linhas marcando o que já está relatado e anotando onde cada item aparece — é a coluna localização do item relatado que o PRISMA pede, e ela aceita página, seção ou linha. O painel da direita mostra o andamento, as verificações cruzadas e o checklist pronto; ao terminar, clique em Baixar PDF.

O que é o PRISMA 2020?

PRISMA é a sigla de Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses, a diretriz de relato das revisões sistemáticas. A versão 2020, publicada por Page e colaboradores no BMJ, substitui a de 2009, que não deve mais ser usada. São 27 itens distribuídos em sete seções — título, resumo, introdução, métodos, resultados, discussão e outras informações —, e como vários se desdobram em subitens, a folha oficial tem 42 linhas a conferir.

A tradução usada aqui é oficial?

É a tradução brasileira publicada na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde em 2022, feita por Taís Freire Galvão e Gustavo Magno Baldin Tiguman, com retrotradução de Rafael Sarkis-Onofre. É essa versão que a EQUATOR Network e o sítio do PRISMA distribuem como a tradução em português do Brasil. O texto dos itens foi transcrito dela, palavra por palavra; a única intervenção nossa está declarada na nota de tradução acima. O original em inglês continua disponível na opção Texto original em inglês.

Preciso preencher a lista de checagem para resumos também?

O item 2 do PRISMA 2020 não traz recomendação própria: ele remete à lista de checagem para resumos, com 12 itens. Vários periódicos pedem as duas listas na submissão, e quem publica em revista com resumo estruturado precisa dos 12 itens de qualquer maneira. Nesta ferramenta a segunda lista é uma camada: ligue-a e ela entra logo abaixo do item 2, com numeração R1 a R12, sem se misturar às 42 linhas da lista principal — e sai identificada no PDF, no CSV e no arquivo de retomada.

O que escrever na coluna de localização do item?

A folha oficial chama essa coluna de localização do item relatado e aceita qualquer referência que permita ao editor encontrar o trecho: o número da página, o nome da seção, o número da linha do manuscrito ou a figura e a tabela em que a informação aparece. Escrever “p. 7” resolve; escrever “p. 7, Métodos, Figura 1” resolve melhor. É por isso que o campo aqui é livre, e não apenas numérico. Se o periódico exigir número de linha, use o número de linha — a instrução dele prevalece.

Minha revisão não fez meta-análise. Posso marcar os itens de síntese como não aplicáveis?

Alguns, sim, e a ferramenta reconhece isso: heterogeneidade (13e e 20c), análise de sensibilidade (13f e 20d) e viés por resultados faltantes em uma sumarização (14 e 21) pressupõem síntese estatística. Mas revisão sem meta-análise continua tendo síntese, e os itens 13a a 13d e 20a a 20b continuam valendo: é preciso dizer como os estudos foram agrupados, como os resultados foram tabulados e por que a síntese foi feita daquele jeito. Marcar tudo como não aplicável porque “só houve síntese narrativa” é o erro mais comum nesse checklist — e o glossário do PRISMA é explícito ao dizer que sumarização estatística vai além da meta-análise.

Onde entra o fluxograma PRISMA?

No item 16a, que pede os resultados da busca e da seleção, do número de registros identificados ao número de estudos incluídos, idealmente por meio de um fluxograma. O diagrama é uma peça separada do checklist, e o Periódico Eletrônico tem um gerador dedicado a ele, com as somas conferidas e exportação em SVG e PNG. As duas ferramentas se completam: o checklist diz que o fluxograma é preciso, o gerador o desenha. Na hora de preencher a localização do item 16a, aponte a figura.

Existe PRISMA para outros tipos de revisão?

Sim, e o PRISMA 2020 é o tronco de todas elas. Há extensões para revisões de escopo (PRISMA-ScR), meta-análises em rede (PRISMA-NMA), dados individuais de participantes (PRISMA-IPD), buscas (PRISMA-S), protocolos (PRISMA-P) e resumos, entre outras. Nenhuma dispensa a lista principal: elas acrescentam o que aquele tipo de revisão exige. Antes de submeter, confira na EQUATOR Network se existe extensão para o seu caso — e lembre que protocolo de revisão se relata pelo PRISMA-P, não por esta lista.

Posso marcar um item como não aplicável?

Pode, mas o PRISMA admite menos exceções do que parece. Os itens 24a, 24b e 26 são exemplo disso: revisão não registrada, protocolo não preparado e ausência de conflito de interesses se declaram, não se omitem — a redação oficial diz “ou declare que a revisão não foi registrada”. Por isso a ferramenta pede justificativa por escrito e avisa quando o item marcado como não aplicável costuma ser cobrado na avaliação.

Preciso enviar o checklist junto com o manuscrito, e em que formato?

A maioria dos periódicos que publicam revisões sistemáticas pede o checklist preenchido como documento suplementar, com a localização de cada item. O PDF é o formato mais aceito, e é por isso que a ferramenta o gera com um clique, já com o cabeçalho da revisão e a coluna de localização. Use o CSV quando o periódico exigir tabela editável e o texto simples para colar na carta de apresentação. Se o periódico oferecer o formulário dele, use o dele — o daqui serve de rascunho.

Como o PDF é gerado?

Pelo próprio navegador, sem enviar nada para lugar nenhum: o arquivo é montado em memória na sua máquina e baixado direto. Ele traz o cabeçalho da revisão, os itens com a situação e a localização de cada um, as justificativas dos itens não aplicáveis e a citação das diretrizes no rodapé. Há também o botão Imprimir, que usa a caixa de impressão do navegador — os dois caminhos servem para anexar.

Posso parar no meio e continuar depois?

Pode. Enquanto for o mesmo navegador no mesmo computador, o preenchimento fica guardado ali e reaparece quando você reabre a página. Para trocar de máquina ou dividir o trabalho com um coautor, abra a aba Salvar e retomar, baixe o arquivo .json e devolva esse mesmo arquivo naquela aba. O arquivo guarda todos os itens, inclusive os da lista para resumos quando ela está desligada — desligar a camada não apaga o que já foi preenchido nela.

Posso reproduzir ou traduzir o checklist PRISMA 2020?

A declaração PRISMA 2020 foi publicada em acesso aberto no BMJ (2021;372:n71) sob licença Creative Commons Atribuição, que permite uso, distribuição, reprodução e adaptação desde que a obra original seja creditada; a tradução brasileira saiu sob a mesma licença em Epidemiologia e Serviços de Saúde (2022;31(2):e2022107). É o que sustenta a reprodução do checklist nesta página. Se for reproduzir o checklist em trabalho seu, cite as duas fontes.