A inteligência artificial está transformando a produção científica em uma velocidade sem precedentes, mas, segundo uma análise publicada no blog The Slow AI, essa mudança pode estar ampliando problemas que já faziam parte do ecossistema acadêmico. No artigo "Academia is enshittifying. AI made it faster", o pesquisador Sam Illingworth argumenta que a IA não é a origem da atual crise da comunicação científica, e sim um acelerador de um sistema historicamente marcado pela pressão por produtividade e pela valorização excessiva de indicadores quantitativos.

O autor utiliza o conceito de enshittification, termo popularizado pelo escritor e ativista Cory Doctorow para descrever a degradação gradual de plataformas digitais, e propõe uma analogia com a academia. Segundo essa perspectiva, a produção científica teria deixado de priorizar a geração e a disseminação do conhecimento para atender, cada vez mais, às demandas de métricas institucionais, como número de publicações, fator de impacto e volume de citações.

Como exemplo, o texto menciona a recente retratação de uma meta-análise sobre o uso do ChatGPT na educação, que reunia dezenas de estudos e chegou a ser amplamente citada antes da identificação de problemas metodológicos. Para Illingworth, episódios desse tipo evidenciam uma fragilidade já conhecida do sistema editorial: mesmo após uma retratação, artigos continuam influenciando novas pesquisas e sendo citados na literatura.

Nesse contexto, a IA surge como um elemento que reduz drasticamente o custo e o tempo de produção de textos acadêmicos, revisões bibliográficas e até pareceres de avaliação. Embora essas ferramentas possam aumentar a produtividade e democratizar o acesso à escrita científica, elas também potencializam um ambiente em que a quantidade frequentemente se sobrepõe à qualidade.

A análise conclui que o principal desafio não está em restringir o uso da inteligência artificial, mas em repensar os mecanismos de avaliação, revisão por pares e validação científica. Para o autor, sem mudanças estruturais na cultura do "publicar ou perecer", a IA tende a acelerar as distorções existentes, tornando ainda mais difícil preservar a confiabilidade da literatura acadêmica.


Fonte: The Slow AI
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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