Os 34 itens que um estudo de acurácia diagnóstica precisa relatar, em português. Marque o que já está no manuscrito, anote a página de cada item e baixe o checklist pronto para anexar à submissão.
O checklist oficial distribuído pela EQUATOR Network não é só a tabela de itens: vem com três blocos de texto que explicam para que a lista serve, o vocabulário que ela pressupõe e como foi construída. A tabela de itens já está traduzida na ferramenta acima; o que segue é a tradução desses três blocos, na íntegra.
Esta lista de itens foi desenvolvida para contribuir com a completude e a transparência do relato de estudos de acurácia diagnóstica. Autores podem usar a lista para escrever relatos de estudo informativos. Editores e pareceristas podem usá-la para avaliar se as informações foram incluídas nos manuscritos submetidos à publicação.
Um estudo de acurácia diagnóstica avalia a capacidade de um ou mais testes médicos de classificar corretamente os participantes do estudo como portadores de uma condição-alvo. Essa condição pode ser uma doença, um estágio de doença, uma resposta ou benefício de uma terapia, ou ainda um evento ou condição no futuro. Um teste médico pode ser um exame de imagem, um exame laboratorial, elementos da história e do exame físico, uma combinação desses, ou qualquer outro método de coletar informação sobre o estado de saúde atual de um paciente.
O teste cuja acurácia é avaliada é chamado de teste índice. Um estudo pode avaliar a acurácia de um ou mais testes índice. Avaliar a capacidade de um teste médico de classificar corretamente os pacientes é feito, tipicamente, comparando a distribuição dos resultados do teste índice com a dos resultados do padrão de referência. O padrão de referência é o melhor método disponível para estabelecer a presença ou a ausência da condição-alvo. Um estudo de acurácia pode se apoiar em um ou mais padrões de referência.
Se os resultados dos testes são categorizados como positivos ou negativos, a tabulação cruzada dos resultados do teste índice contra os do padrão de referência pode ser usada para estimar a sensibilidade do teste índice (a proporção de participantes com a condição-alvo que têm teste índice positivo) e a sua especificidade (a proporção sem a condição-alvo que têm teste índice negativo). A partir dessa tabulação cruzada — às vezes chamada de tabela de contingência ou tabela 2×2 —, várias outras estatísticas de acurácia podem ser estimadas, como os valores preditivos positivo e negativo do teste. Intervalos de confiança em torno das estimativas de acurácia podem então ser calculados para quantificar a precisão estatística das medições.
Se os resultados do teste índice podem assumir mais de dois valores, categorizá-los como positivos ou negativos exige um ponto de corte de positividade. Quando vários pontos de corte podem ser definidos, os autores podem relatar uma curva ROC (receiver operating characteristic), que representa graficamente a combinação de sensibilidade e especificidade para cada ponto de corte possível. A área sob a curva ROC informa, em um único valor numérico, a acurácia diagnóstica global do teste índice.
O uso pretendido de um teste médico pode ser diagnóstico, rastreamento, estadiamento, monitoramento, vigilância, predição ou prognóstico. O papel clínico de um teste explica a sua posição em relação aos testes já existentes no percurso clínico:
Além da acurácia diagnóstica, vários outros desfechos e estatísticas podem ser relevantes na avaliação de testes médicos. Testes médicos também podem ser usados para classificar pacientes com finalidades que não o diagnóstico, como estadiamento ou prognóstico. A lista STARD não foi desenvolvida explicitamente para esses outros desfechos, estatísticas e tipos de estudo, embora a maioria dos itens do STARD ainda se aplique.
Esta lista STARD foi divulgada em 2015. Os 30 itens foram identificados por um grupo internacional de especialistas formado por metodologistas, pesquisadores e editores. O princípio que guiou o desenvolvimento do STARD foi selecionar itens que, uma vez relatados, ajudassem os leitores a julgar o potencial de viés do estudo, a avaliar a aplicabilidade dos achados e a validade das conclusões e recomendações. A lista representa uma atualização da primeira versão, publicada em 2003. Mais informações podem ser encontradas em equator-network.org/reporting-guidelines/stard.
Nota da tradução — por que 30 no texto e 34 na ferramenta. O texto original fala em 30 itens porque conta as entradas numeradas de 1 a 30. Quatro delas se desdobram em a e b na tabela — 10, 12, 13 e 21 —, e é por isso que a tabela do checklist tem 34 linhas para preencher. Os dois números estão certos; contam coisas diferentes.
Obra original
Bossuyt PM, Reitsma JB, Bruns DE, Gatsonis CA, Glasziou PP, Irwig L, Lijmer JG, Moher D, Rennie D, de Vet HCW, Kressel HY, Rifai N, Golub RM, Altman DG, Hooft L, Korevaar DA, Cohen JF. STARD 2015: an updated list of essential items for reporting diagnostic accuracy studies. BMJ. 2015;351:h5527. doi:10.1136/bmj.h5527
© Bossuyt et al. 2015. Publicado em acesso aberto sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 (CC BY 4.0), que permite distribuir, adaptar e construir sobre a obra, inclusive para fins comerciais, desde que a obra original seja devidamente citada. Texto traduzido a partir do checklist oficial em PDF distribuído pela EQUATOR Network.
Tradução — não oficial, feita pelo Periódico Eletrônico com desenvolvimento da GeniusDesign, em agosto de 2026. Não foi revisada nem endossada pelo grupo STARD. Em caso de divergência, vale o original em inglês.
Para se aprofundar — o documento de explicação e elaboração discute item por item, com exemplos publicados: Cohen JF, Korevaar DA, Altman DG, Bruns DE, Gatsonis CA, Hooft L, Irwig L, Levine M, Reitsma JB, de Vet HCW, Bossuyt PM. STARD 2015 guidelines for reporting diagnostic accuracy studies: explanation and elaboration. BMJ Open. 2016;6:e012799. doi:10.1136/bmjopen-2016-012799
O STARD — Standards for Reporting of Diagnostic Accuracy Studies — é a diretriz de relato dos estudos que medem quão bem um teste identifica uma condição. A versão de 2015 (Bossuyt PM et al., BMJ 2015;351:h5527) tem 30 entradas numeradas, sete das quais se dividem em a e b: são os 34 itens que se preenchem aqui. Periódicos que publicam acurácia diagnóstica costumam exigir o checklist preenchido na submissão, com o número da página em que cada item aparece.
Preencher o checklist no fim, correndo, é o que produz aquelas colunas de páginas repetidas que nenhum editor consegue conferir. Esta ferramenta existe para o outro caminho: percorrer os itens enquanto o texto ainda está sendo escrito, ver o que se espera de cada um em português, marcar o que já está resolvido e descobrir cedo o que falta. O item 19 pede o fluxo de participantes em diagrama — para ele há uma ferramenta irmã, o diagrama de fluxo STARD. E o texto que acompanha o checklist oficial — o que é um estudo de acurácia diagnóstica, o que são teste índice e padrão de referência, como a lista foi construída — está traduzido logo acima, em O documento STARD 2015, traduzido.
Percorra os itens do checklist marcando o que já está relatado no manuscrito e anotando a página em que cada um aparece — é essa indicação de página que os periódicos pedem ao anexar o checklist. O painel da direita mostra o andamento e o que falta. Ao terminar, baixe o checklist preenchido no formato que a submissão exigir.
É a lista dos 34 itens que um artigo de acurácia diagnóstica precisa relatar para que o leitor consiga julgar o risco de viés e a aplicabilidade dos resultados. Foi publicada em 2015 por Bossuyt e colaboradores e substitui a versão de 2003. Vinte e sete das trinta entradas são numeradas de 1 a 30; sete delas se dividem em a e b, o que dá os 34 itens que se preenchem aqui.
Segundo o próprio documento STARD, é o estudo que avalia a capacidade de um ou mais testes médicos de classificar corretamente os participantes como portadores de uma condição-alvo — que pode ser uma doença, um estágio de doença, uma resposta ou benefício de uma terapia, ou um evento futuro. O teste médico não precisa ser um exame: pode ser um exame de imagem, um exame laboratorial, elementos da história e do exame físico, uma combinação deles, ou qualquer outro método de coletar informação sobre o estado de saúde atual do paciente.
O teste índice é aquele cuja acurácia está sendo avaliada — um estudo pode avaliar mais de um. O padrão de referência é o melhor método disponível para estabelecer se a condição-alvo está presente ou ausente, e é contra ele que os resultados do teste índice são comparados. Um estudo pode se apoiar em mais de um padrão de referência. Essa comparação, cruzada em uma tabela 2×2, é o que produz a sensibilidade, a especificidade e os valores preditivos.
São os três papéis clínicos que o STARD distingue, e que os itens 3 e 27 pedem que você declare. O teste de substituição substitui um teste existente; o teste de triagem é usado antes de um teste existente; o teste adicional é usado depois de um teste existente. Não confunda com o uso pretendido, que é outra coisa: diagnóstico, rastreamento, estadiamento, monitoramento, vigilância, predição ou prognóstico.
O documento é explícito: a lista não foi desenvolvida para esses outros desfechos, estatísticas e tipos de estudo — embora a maioria dos itens ainda se aplique. Na prática, se o seu estudo classifica pacientes com finalidade que não o diagnóstico, o STARD continua sendo um bom roteiro de relato, mas verifique se o periódico não exige outra diretriz mais específica, como as listadas pela EQUATOR Network.
Os 30 itens foram identificados por um grupo internacional de especialistas formado por metodologistas, pesquisadores e editores, e a lista foi divulgada em 2015 como atualização da primeira versão, de 2003. O princípio que guiou a seleção foi escolher itens que, uma vez relatados, ajudassem o leitor a julgar o potencial de viés do estudo e a avaliar a aplicabilidade dos achados e a validade das conclusões e recomendações.
A maioria dos periódicos que publicam estudos de acurácia diagnóstica pede o checklist preenchido como documento suplementar na submissão, com o número da página em que cada item aparece. Alguns aceitam a indicação por seção ou por linha. Confira as instruções aos autores do periódico de destino: elas prevalecem sobre qualquer formato sugerido aqui.
Alguns itens admitem isso com naturalidade — a justificativa da escolha do padrão de referência quando não há alternativa, o número de registro quando o estudo não foi registrado, os eventos adversos quando não houve nenhum. A maioria, porém, é exigida de todo estudo de acurácia diagnóstica. Por isso a ferramenta pede uma justificativa por escrito e avisa quando o item marcado como não aplicável costuma ser obrigatório.
O checklist cobre o artigo inteiro, do título às fontes de financiamento. O diagrama de fluxo atende a um único item dele, o item 19, e mostra quantos participantes foram elegíveis, quantos fizeram o teste índice, quantos fizeram o padrão de referência e como se distribuíram os resultados. São documentos complementares, e os dois costumam ser exigidos na submissão.
PDF e planilha são os formatos mais aceitos. Use Imprimir e salve em PDF para um documento pronto para anexar, ou baixe o CSV quando o periódico exigir tabela editável. O texto simples serve para colar dentro da carta de apresentação, e o JSON existe para quem quer arquivar o preenchimento e reabri-lo depois.
Pode. Enquanto for o mesmo navegador no mesmo computador, o preenchimento fica guardado ali e reaparece quando você reabre a página. Para trocar de máquina, de navegador ou dividir o trabalho com um coautor, abra a aba Salvar e retomar, baixe o arquivo .json e devolva esse mesmo arquivo naquela aba — a ferramenta recoloca cada item na situação em que estava, com as páginas e as justificativas.
O artigo que apresenta o STARD 2015 (BMJ 2015;351:h5527) foi publicado em acesso aberto sob licença Creative Commons Atribuição 4.0 (CC BY 4.0), que permite distribuir, adaptar e construir sobre a obra, inclusive para fins comerciais, desde que a obra original seja devidamente citada. É o que sustenta a tradução publicada nesta página, que é não oficial e não foi endossada pelo grupo STARD. Se você for reproduzir o checklist em um trabalho seu, cite a fonte original.