Uma prática fraudulenta que tem se espalhado pelo mundo acadêmico chegou ao Brasil: criminosos estão criando sites falsos que imitam revistas científicas legítimas para enganar pesquisadores e lucrar com taxas de publicação. Trata-se de um golpe sofisticado conhecido como sequestro de periódicos (também chamado de hijacked journals), em que o nome, o ISSN e a identidade visual de uma revista real são roubados e usados para montar portais quase idênticos aos originais, cobrando taxas de publicação (APCs) que as revistas verdadeiras nem cobram.

Segundo a reportagem, a ferramenta Retraction Watch Hijacked Journal Checker, mantida em colaboração com a pesquisadora Anna Abalkina, já catalogou mais de 400 revistas científicas clonadas globalmente, demonstrando que o problema afeta a integridade da comunicação científica no mundo inteiro.

No Brasil, um dos casos mais emblemáticos envolve a revista Acta Scientiae (Qualis A2), vinculada à Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). A publicação legítima precisou emitir um alerta público depois que criminosos criaram ao menos dois sites falsos (periodicos-ulbrabr.org e periodicos-ulbrabra.org) que se passavam pela revista — inclusive com domínio e e-mails parecidos, para evitar suspeitas. Os clones chegaram a divulgar cobranças que a revista verdadeira não pratica.

Outro exemplo é o periódico Acervo (Qualis A1), editado pelo Arquivo Nacional, que também teve versões clonadas em domínios como acervojournal.com e acervojournal.org. Esses sites falsos prometiam indexação em bases de prestígio como Scopus e Web of Science, atraindo pesquisadores em busca de visibilidade internacional, algo que o portal legítimo não oferece.

Especialistas alertam que essa prática não só prejudica financeiramente autores desavisados, como também polui a literatura científica com conteúdos de qualidade duvidosa ou plagiada, podendo ser indexados inadvertidamente em bases de dados acadêmicas.

Medidas preventivas para editoras, instituições e pesquisadores

Para prevenir e combater o sequestro de periódicos, editores e pesquisadores podem adotar um conjunto de medidas técnicas, institucionais e de checagem individual antes de submeter artigos.

Medidas para editoras e instituições

  • Reforçar a segurança digital dos portais, com uso sistemático de HTTPS, autenticação em dois fatores para painéis administrativos e monitoramento de domínios semelhantes (typosquatting) que possam estar sendo usados para criar clones.
  • Registrar e divulgar claramente, em todos os materiais (site, e-mails, PDFs, redes sociais), o domínio oficial da revista e da instituição, orientando autores a desconsiderar qualquer variação suspeita (por exemplo, mudanças sutis em .org, .com, .br).
  • Manter atualizados os dados da revista em diretórios confiáveis (DOAJ, ISSN Portal, bases nacionais e internacionais), pois essas fontes são frequentemente usadas pelos autores para confirmar a autenticidade dos periódicos.
  • Adotar políticas transparentes de ética, taxas e avaliação por pares, alinhadas a guias como COPE e DOAJ, deixando explícito no site se há ou não cobrança de APC e em quais condições.
  • Criar canais formais de denúncia (e-mail específico, formulário no site) para que pesquisadores possam informar rapidamente suspeitas de clonagem, possibilitando respostas públicas, notificações a registros de domínio e, quando necessário, medidas legais.

​Ações de monitoramento e resposta  

  • Monitorar periodicamente na web o nome do periódico, ISSN e título em combinação com termos como “journal” ou “submission”, para detectar sites espelho ou domínios recentes que tentem se passar pela revista.
  • ​Em caso de clonagem confirmada, publicar imediatamente um aviso em destaque na página oficial da revista e da instituição explicando o golpe, listando os domínios falsos e orientando autores a não responderem e-mails ou pagamentos relacionados.
  • ​Notificar o Retraction Watch Hijacked Journal Checker e outros serviços de monitoramento, contribuindo para que o título entre na lista de periódicos sequestrados e alertando a comunidade internacional.
  • Informar órgãos reguladores e de suporte (como provedores de domínio, serviços de hospedagem e, se cabível, autoridades policiais), solicitando a retirada do site falso e a preservação de evidências para eventuais processos.


Dicas práticas para pesquisadores

  • Verificar se o título da revista e o ISSN informados no site coincidem com os dados registrados no portal oficial do ISSN ou em diretórios reconhecidos, como o Directory of Open Access Journals (DOAJ) para periódicos de acesso aberto.
  • Conferir se o domínio apresentado no convite ou na página de submissão é exatamente o mesmo divulgado pela instituição editora (universidade, arquivo, sociedade científica) em seus canais oficiais. Pequenas alterações em letras, hífens ou terminações (.net em vez de .org, por exemplo) são sinal de alerta.
  • ​Desconfiar de ofertas de publicação muito rápidas, com promessas de indexação imediata em Scopus ou Web of Science, especialmente quando acompanhadas de cobrança antecipada de taxas e linguagem muito genérica nos convites por e-mail.
  • ​Analisar criticamente o conteúdo recente da revista: presença de artigos fora do escopo declarado, textos mal formatados ou com sinais de plágio em larga escala pode indicar um site clonado ou predatório.
  • ​Checar o corpo editorial em fontes externas (como páginas institucionais, ORCID ou perfis acadêmicos) para confirmar se os editores realmente reconhecem aquela revista e aquele domínio como oficiais.
  • ​Utilizar ferramentas especializadas, como o Retraction Watch Hijacked Journal Checker, antes de submeter um manuscrito, especialmente quando o convite for inesperado ou o periódico não for familiar à área.

Verificação ativa das partes para evitar golpes

Para reduzir o impacto desse tipo de golpe, especialistas recomendam uma combinação de vigilância tecnológica, transparência editorial e verificação ativa por parte dos autores. Antes de submeter um artigo, o pesquisador deve confirmar o domínio oficial da revista em fontes confiáveis, checar o ISSN em registros institucionais, desconfiar de promessas de publicação rápida com indexação garantida e usar ferramentas como o Retraction Watch Hijacked Journal Checker para verificar se o título não está associado a páginas clonadas. Ao mesmo tempo, editoras e universidades são instadas a reforçar a segurança de seus sites, atualizar seus cadastros em diretórios reconhecidos e emitir alertas públicos imediatos sempre que detectarem tentativas de sequestro digital de seus periódicos.


Fonte: UniversidadesNews
Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial e revisado pelo autor.
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